Teta de Sócrates: ciência, difusão e descontração

Por Juliana Magalhães

Quando Sarah Correia e eu decidimos fazer um podcast, o nome Teta de Sócrates surgiu
como uma piada interna, uma escolha brincalhona e subversiva da formalidade acadêmica.
Coincidência ou não, nossa ideia partiu da área que somos especialistas, a Antiguidade. Das
sugestões, acabamos chegando em Sócrates, expoente da filosofia, área que de muitas maneiras
forneceu os primeiros aparatos para construção da Ciência na modernidade. A partir de seus
fundamentos, nos questionamos: Por que isso existe? Por que aquilo se expressa daquela
maneira? Onde? Como? Em tom jocoso, poderia dizer que se Sócrates não tivesse sido tão
questionador da ordem estabelecida em Atenas, ele não teria sido morto. Pois bem, é justamente
por seus questionamentos envolvendo a novíssima Democracia, que ele passou a ser tão
celebrado pelos cânones filosóficos séculos depois. Por causa dele e de tantos outros curiosos,
inquietos e indagadores, não conheceríamos o alpha e beta, não veríamos a Θ (teta).
A túnica se foi, mas a insistência em conhecer e questionar ficou conosco, os cientistas,
até os dias atuais. Sem dúvida, Sócrates foi um homem polêmico em seu tempo, um rebelde em
busca do conhecimento. E o que dizer de suas tetas ou, como diriam de forma rígida,
antropocêntrica, seu peito? Aqueles biologicamente não desenvolvidos, por vezes escondidos por
túnicas ou soltas ao vento, em um ato de liberdade irrestrita aos homens. Aqueles que não têm
medo de expor, como nós. Nós que assimilamos e subvertemos a categoria biológica em busca
da pluralidade e diversidade de corpos, identidades, sociedades e suas maneiras de estar e se
posicionar no mundo.
Por isso falamos, conversamos, buscamos. Nosso bate papo carrega uma proposta feita de
peito aberto para que o grande público conheça por quais caminhos construímos nossos saberes,
em uma estrada que está longe dos Castelos Acadêmicos intransponíveis. Então venha, pode
entrar! Em uma teta levamos a letra, uma entre tantas do alfabeto, que ajuda a construir palavras,
saberes e que faz pensar, filosofar e é raiz de línguas e alfabetos. Em outra teta convidamos a
interpretar a expressão dos corpos a partir de uma perspectiva humanística, sabendo ser ele fonte
de desejo ou desconforto, que cria, indaga, transforma e que fornece alimento rico (físico ou
mental) para o “outro”.
Pelos mesmos motivos, ouvimos e compartilhamos o que a indagação humana provoca
nos curiosos e nos questionadores, que com a beca chamamos de pesquisadores. Através de suas
pesquisas, passamos a entender melhor as especificidades sociais, culturais, políticas e/ou
econômicas de um período, lugar ou grupo social, ao mesmo tempo em que identificamos as
raízes estruturais de cada fazer científico. E esse fazer científico possui marcas coloniais, vistas a
partir das vozes de mulheres latino americanas, periféricas e desafiadoras, que tal qual as tetas
não se fixam à túnica ou ao nome que lhe atribuíram.
Não importa se chamam de seio, mama, peito; não importa seu formato ou tamanho. Seja
através de representações ou na vida, nós da Teta de Sócrates buscamos alimento onde ele
estiver.

O podcast Teta de Sócrates conta com o apoio de difusão científica do INCT Proprietas
e, juntos, te convidamos para participar dessa jornada descontraída para conhecer as pesquisas e
os pesquisadores latino americanos, brasileiros em ciências humanas.
Venha e deixe a teta te alimentar!

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